Quarta-feira, Agosto 31, 2005

imperfeição

trocaria todo o dito pelo não-dito! Mas como tê-lo se não por meio dizê-lo?
  • escrita papel, escrita na pele
  • Sábado, Agosto 20, 2005

    meu amor é um lago quieto que contém minhas tormentas, em cujo espelho calmo posso em fim me encontrar.Meu amor é um lago quieto onde o desvario das solares cores no fim da tarde vai dormir.
  • escrita papel, escrita na pele
  • Quarta-feira, Agosto 17, 2005

    artificial flavor.

    Cena 1- (2:00 da manha) Ela, sentada no chao, de tranças, de costas pra ele, de pernas cruzadas olha pra trás e pergunta: _ Você quer um chiclete?
    Ele desconcertado, surpreso e meio bebado diz: _ Hunhun!
    Ela corta com os dentes o unico Trident de canela que tem, tocando com ele lentamente (e não se sabe se inocentemente), a parte umida e interna dos lábios. Ele observa e estremece.

    Cena 2 (poucos anos depois/ a tarde a tarde vista pelo vidro escuro do carro dela) Ele coloca o cd, ascende o seu cigarro com o ascendendor, ascende o dela e ela diz:_ Você quer? Só tem esse. Corta pra gente.
    Ele corta o chiclete e engole junto com o gosto da canela e da fumaça um certo amargor e diz:
    _ Fico feliz por você... A vida às às vezes me assusta!
  • escrita papel, escrita na pele
  • Terça-feira, Agosto 09, 2005

    palavra-clarão

    avise aos homens que os horizontes se abriram e os limites do corpo não são os limites da alma, servem apenas de porto donde avisto caminhos outros. Avise aos homens que o amanhã é palavra doce para os que adormecem e que ha sonhos latentes em cada dia, mesmo que a alvorada silente e imáginária nunca seja vista. Avise que o corpo é porto donde a alma se projeta e o infinito é o clarão pra onde todas a palavras convergem. É palavra-clarão onde nao ha sombra que dê fronteira as formas. É palavra-clarão que ofusca os olhos e apaga as cores das cores.
  • escrita papel, escrita na pele
  • Quarta-feira, Agosto 03, 2005

    Oferenda

    Oferenda.
    (para Mayra.)

    É tempo dos homens agradecerem ao mar e na noite lançarem-lhe arranjos de flores e velas.

    É tempo de aceitarem tudo o que as ondas à praia trouxeram e tudo que delas levaram: O sal, as conchas, os mariscos, as algas, os peixes, as estrelas...

    É tempo de confiarem delicadas pétalas ao mar, lançarem velas acesas ao vento.

    Tempo de deixarem se levar: morrerem no fluxo da noite, narcerem no refluxo do dia.

    É tempo de oferecerem às aguas aquilo que na terra há de mais belo.
    Tocar o venturoso breu da eternidade, dando a Deus barquinhos de flores e velas.
    Artur.
  • escrita papel, escrita na pele
  • Sexta-feira, Julho 22, 2005

    repostagem

    Trama.
    A trama das estrelas,
    A trama das palavras,
    O equilíbrio das coisas,
    Desabavam sem parar.

    As homilias e as preces
    Reverberavam em surdos espaços,
    Em siderais silêncios.

    Os homens quebravam-se como as coisas.
    Os filhos rompiam-se como as coisas.
    Ninguém quis as maternais lágrimas.
    A noite foi surda.

    A lua, indiferente ao homem que chorou sangue.
    O passante, indiferente à criança que chorou fome.

    As mães curvaram-se e comeram a carne do homem que chorou sangue.

    Veio o tempo da fuligem, das engrenagens e do cansaço.
    Os homens serviram-se de máquina,
    As máquinas serviram-se dos homens.

    As estrelas, as palavras, as coisas, desabavam.

    Os homens passaram,
    A lua passou,
    E o homem das lágrimas de sangue,
    Que brotavam pelas lágrimas dos homens,
    Também, sozinho, passou.
    E a trama então, silenciosamente se desfez.

    artur
  • escrita papel, escrita na pele
  • repostagem

    Alquimia.
    Creio só na magia que ocorre breve espaço entre dois seres.
    A alquimia perfeita que transmuta o chumbo da real no ouro dos sonhos.
    A ponte de confiança que nos liga destruindo os muros que nos encarceram, retirando-nos de nossa caverna para mostrar a luz.
    A ponte do amante é o toque, do pintor a tela, da mãe o seio, dos amigos o abraço, dos deuses vivos a prece, da terra é o alimento.
    Creio apenas na magia que transmuta o chumbo do real no ouro dos sonhos.
    Artur

    O outro.
    Eu não sou eu, nem sou o outro,
    Sou qualquer coisa de intermédio,
    Pilar da ponte de tédio, que vai de mim para o outro. Fernando Pessoa
  • escrita papel, escrita na pele
  • repostagem (estrnageiro)

    O homem e sua sombra.
    "...os medos não brotam das trevas, eles são como as estrelas, estão sempre ali, mas obscurecidos pelo clarão do dia..."
    (Quando Nietzsche Chorou)

    O homem e sua sombra.

    De dia, o homem carrega a sua sombra, na noite o homem é carregado por ela, que o seduz a descer pela espiralada escadaria, descer para a total absorção noturna. Lá sua chama oscila no combate com a superfície do céu carregado. Em seus olhos vai morar a purpúrea substância das recordações... os sinos e os cânticos de louvor que ouviu durante o dia. Sua cabeça é tomada pelos bestiais gargalhadas do corpo, que não para de reclamar a eternidade. Ele desce sentindo náusea de combater contra a voraz noite. Os faróis das recordações fraquejam, a cada passo. Quando se apagarem ele estará totalmente diluído.
    Artur.

    //

    Soltarei as amarras para ver correrem soltas as batalhas que se travam em mim.
    Deslizarei, observador tranquilo,com olhos de lagarto para vê-las exaurindo-se.
    Cantarei as cantigas que trazem sob sua inocência o signo atávico das pestes.
    Dançarei as cirandas que dizem das flores que nasceram em ti e não foram sarjadas,
    que falam de tuas rendas...de tuas cinzas...espalhadas no altar engolido pelo lodo.

    Artur.
  • escrita papel, escrita na pele
  • repostagem(estrangeiro)

    Muros e pontes... abrigos
    Outro dia li isso:
    "Houve uma época em nossas vidas em que estávamos tão proximos, que nada parecia obstruir nossa amizade e fraternidade, e apenas uma pequena ponte nos separava. Quando você ia subir na ponte, eu perguntei: 'Você vai atravessar a ponte até mim?' Imediatamente você deixou de querê-lo e , quando repeti a pergunta, você ficou silente. Desde então, montanhas, rios torrenciais, impuseram-se entre nós e, mesmo que quisessemos nos reunir, não consguiriamos. Agora, ao pensar no pontilhão, você perde as palavras e soluça e se maravilha."
    Esse texto é atribuido a Nietzsche, no livro: "Quando Nietzsche Chorou", (livrinho + ou -) de Irvin D.Yalom.
    Há algum tempo escrevi isso:
    "Esperei ao lado de tua cama, por toda a noite as flores que brotariam de teus galhos mortos.Tentei quebrar os espelhos em que te prendias, mas se agarrastes aos estilhaços e os espalhaste pelos labirintos em que descalço eu te procurava."
    ... As vezes penso que amar pode ser a um só tempo escravidão e liberdade: ao mesmo tempo que precisamos buscar refúgio na escrvidão consoladora dos braços do outro e neles se encontrar se perdendo, sendo ao um só tempo escravo e senhor; necessitamos também aprender que amar é libertar o outro para si mesmo e deixá-lo ir, mesmo que isso siginifique se perder à deriva de si mesmo...
  • escrita papel, escrita na pele
  • Sábado, Julho 09, 2005

    o caminho de tua casa.

    As coisas rearranjam-se como caleidoscópio involuntário diante de meus olhos.
    A trama das palavras se tece em tear assombroso fuso a fuso, dia a dia.
    Cotidianamente ando pelas mesmas ruas e vejo as mesmas casas que apesar de terem estado sempre ali, agora, para mim são outras.
    Envoltas em sonhos diferentes, assombradas por novos fantasmas.
    As flores que ainda nascem no caminho de tua casa,
    Revivem outras que secaram e estão mortas,
    E quando para as novas olho, ainda vivas em minha mão,
    sei que não são apenas elas que vejo,
    mas também outras, que ja estão em lugar sublime,
    junto conosco e com tudo o que não sou mais.
    Dou-me conta então, que tendo flores em minhas mãos,
    não são apenas elas que se abrirão continuamente,
    ate se desfazerem pétala por pétala no frio solo;
    abro-me também, sem que possa impedi-lo!
    nao mais poderei retomar caminhos traçados.
  • escrita papel, escrita na pele