Trama.
A trama das estrelas,
A trama das palavras,
O equilíbrio das coisas,
Desabavam sem parar.
As homilias e as preces
Reverberavam em surdos espaços,
Em siderais silêncios.
Os homens quebravam-se como as coisas.
Os filhos rompiam-se como as coisas.
Ninguém quis as maternais lágrimas.
A noite foi surda.
A lua, indiferente ao homem que chorou sangue.
O passante, indiferente à criança que chorou fome.
As mães curvaram-se e comeram a carne do homem que chorou sangue.
Veio o tempo da fuligem, das engrenagens e do cansaço.
Os homens serviram-se de máquina,
As máquinas serviram-se dos homens.
As estrelas, as palavras, as coisas, desabavam.
Os homens passaram,
A lua passou,
E o homem das lágrimas de sangue,
Que brotavam pelas lágrimas dos homens,
Também, sozinho, passou.
E a trama então, silenciosamente se desfez.
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